Sábado, Marzo 15th, 2008...8:16 am
O xadrez atrai, sim, patrocinadores
[Escrito en San Sebastián el 13 de febrero de 2008; publicado originalmente en la revista Jaque nº 619 correspondiente a Marzo de 2008. Traducido al portugués por Elias Muñiz para su publicación en la web brasileña Xadrez Torre 21]
A idéia de que “o xadrez não interessa aos patrocinadores” é uma dessas mentiras que, de tanto se ouvir de quem justifica assim o fato de não saber fazer seu trabalho, acabamos por acreditar nela. Gravou-se em nossa mente e minou o entusiasmo por empreender atividades, por procurar novos horizontes para nosso jogo.
Vamos fazer uma diferenciação muito importante entre duas coisas que, ainda que estejam relacionadas, algumas vezes são confundidas uma com a outra. É verdade que o xadrez não é um esporte de massas, e nunca o será por sua natureza intrínseca: conhecê-lo e dominar seus fundamentos requer um esforço de vontade que é cada vez menos comum na sociedade em que vivemos. Mas o xadrez tem, sim, uma imagem, representa certos valores que resultam, em conjunto, interessantíssimos para qualquer empresa disposta a respaldá-lo. E isso para não falar das instituições públicas.
Nos últimos anos, tive oportunidade de ir a várias feiras empresariais. Uma das mais importantes realizadas em nosso país, Expomanagement, está destinada a executivos de importantes multinacionais. Na primeira ocasião em que a visitei, chamou-me poderosamente a atenção a massiva presença de stands, cartazes e folhetos (cheguei a contar 23 ao todo) de empresas que utilizavam a imagem do xadrez como tema de propaganda, em todos os casos incidindo nesses valores a que fazia alusão: o pensamento estratégico, a inteligência, as decisões bem meditadas, o eficiente planejamento.
No ano seguinte, foi preciso somente um pouco de iniciativa de minha parte para organizar uma pequena exibição de partidas simultâneas nessa mesma feira, no stand de Amena, que contou com a participação do Grande Mestre Pablo San Segundo. “Amena sabe qual é tua melhor jogada”, foi o recorrente slogan. Foi algo simples, mas a tal ponto teve sucesso e congregou a curiosos no recinto, que duas empresas do mesmo ramo (telefonia) contataram-me nos meses seguintes para me propor atos similares, e os próprios organizadores de Expomanagement contrataram Garry Kasparov como estrela conferencista para a edição seguinte. A semente havia sido plantada. O xadrez dava-lhes boa imagem, a um preço irrisório para os orçamentos que manejam habitualmente.
O potencial está aí, sempre esteve, e somos uns cegos por não ver que o temos diante de nós. Até onde poderíamos chegar se, em vez de entusiastas particulares mais ou menos capacitados, fosse uma agência de comunicação e imagem quem canalizasse esse potencial, quem explorasse de forma profissional as possibilidades que oferece o xadrez? Em poucas ocasiões se deu esse passo, porque os diretores, associações de jogadores e enxadristas super-estrelas sempre quiseram “manejar o cotarro”, sem terem consciência de que se movem num terreno – o da comunicação – que não é precisamente o seu.
Há alguns meses, conheci em Vitória o candidato à FEDA, Amador González, que teve a deferência de interessar-se por minhas sugestões a respeito de como abrandar o desolado panorama que apresenta o xadrez nacional: um problema que parece lhe preocupar bem mais do que àqueles que estão no cargo atualmente. Inclusive me propôs a possibilidade de participar de sua candidatura como chefe de imprensa, ou que lhe sugerisse, ao menos, uma pessoa indicada para o posto.
Tentei tirar-lhe da cabeça a idéia do “chefe de imprensa permanente”, que, embora seja verdade que nunca tivemos um, já se converteu em uma figura um tanto obsoleta. “Uma agência de comunicação pode realizar esta tarefa, emitindo notas de imprensa quando sejam necessárias: campeonatos da Espanha, grandes torneios, acontecimentos infantis…”, expliquei-lhe. “Além disso, eles saberão onde incidir para vender o xadrez, não só no que se refere aos meios, mas também aos potenciais patrocinadores e as instituições. É um serviço global e profissional”, insisti. Para não mencionar uma possibilidade não menos importante: as agências de comunicação planificam as campanhas de publicidade de muitas empresas, e sem dúvida poderiam encontrar em sua carteira de clientes algum a quem poderiam sugerir-lhe associar sua imagem ao xadrez. Creio que os argumentos lhe convenceram, porque me pediu permissão para incluir a idéia em seu programa.
Em resumo: não menosprezemos o potencial que tem nosso esporte. O xadrez atrai, sim, patrocinadores: o que os afasta são os ineptos que muitas vezes o gerem.
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